quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

A primeira mudança

Junho/2014

Essa minha chegada à Noruega foi bem intensa. Meu marido havia tirado uns dias de férias antecipadas pra me receber e pra procurar um apartamento mobiliado para morarmos por um mês, até a nossa mudança chegar.

O que EU não sabia, é que só tínhamos 4 dias pra achar esse lugar provisório. Também fomos surpreendidos com a procura desenfreada de imóveis no Verão.  Além de ser tudo mais caro (novidade!), parece que os suecos adoram vir pra Noruega na alta estação e todos os pequenos apartamentos do Centrinho ficam tomados. 

A maior dificuldade era traduzir todos os sites de aluguel, cujos anúncios são praticamente todos em norueguês. Não se iluda quando disserem pra você que só falando inglês você resolve a sua vida na Noruega. Não é bem assim...Mas falaremos melhor sobre isso mais adiante.

Conseguimos o telefone de um consultor de imóveis através de uma imobiliária e ligamos imediatamente. Por sorte e obra do “divino”,  ele estava terminando de limpar um apto que tinha acabado de desocupar. Era pegar ou largar ou correr o risco de ir pra um hotel e pagar o dobro. Pegamos! 

Apesar de muito pequeno, tinha tudo que precisávamos e ficava muito bem localizado, o que pra mim era absolutamente fundamental, já que ficaria sozinha e sem carro a maior parte do tempo, numa cidade que pouco conhecia.


Alugamos o carro por mais um dia e nos mudamos numa 6ª. feira. Não foi complicado, mas pagamos o aluguel antecipado. De resto, o contrato era bem simples e a confiança estabelecida entre ambas as partes foi surpreendente. 

Estávamos  bem felizes com a escolha. Já tínhamos um cantinho por mais um mês até encontrar nossa casa definitiva. 






terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Domingo, dia de Igreja e ...Museu

Junho/2014


Pois é, tivemos que devolver o carro alugado...acabou-se o que era doce.  Agora, só à pé mesmo ou uma ótima oportunidade para começar a experimentar o transporte público local.

Acordei com os sinos da Catedral  badalando e quem sabe me chamando, senão pra uma missa, talvez pra uma visita.  

Pesquisei e descobri que 76,1% da população da Noruega é de luteranos evangélicos, seguidos pelos católicos.

A Catedral  de Stavanger é a mais antiga de toda a Noruega. Sua construção teve início em 1100 e terminou em 1150. Sua arquitetura, inicialmente românica, sofreu mudanças para a arquitetura gótica depois de um incêndio em 1272, quando a catedral teve que ser renovada. 



O interior da basílica é majestoso, com imensas paredes de pedra e destaques especiais para o coro gótico, a fonte de pedra,  o púlpito barroco e os vitrais com cenas do Novo Testamento.







Bem, românica ou gótica, tenho a dizer que ela é LINDA! Parece saída de um daqueles filmes medievais de cavaleiros e princesas que se encontram furtivamente na igreja, resguardando um amor proibido.  Vale a visita, vale uma oração.

Ah, mas a entrada é paga...como tudo aqui na Noruega!

Serpenteamos mais um pouquinho pelo miolo do SENTRUM, vendo as lojinhas e os cafés.



Passadinha em casa e pé na rua de novo. Quando nos demos conta, estávamos novamente no porto, ao lado do Museu de Petróleo.




Não sei se vocês sabem, mas Stavanger é considerada hoje, o Centro da Indústria de Petróleo na Noruega ou ainda,  a Capital europeia do petróleo, que  aliás, foi o que nos trouxe pra cá. Fazemos parte dos 20,2% dos imigrantes que trabalham neste segmento de O&G.  Stavanger deve seu crescimento ao Petróleo, com o boom ocorrido no final do século XX e princípio do séc. XXI.

Como eu estava com o “melhor guia ever” pra visitar esse museu, tratei de aproveitar a oportunidade. Sério, esse programa é imperdível. Uma super chance de entender todos os processos  e equipamentos desenvolvidos e utilizados nessa indústria que move o mundo.  

É bacana até pra criancinhas, com filmes didáticos e espaços interativos.  De ROVs, passando por plataformas, árvores de Natal e risers, a gente aprende de tudo um pouco!








Cansados de programas indoor, caminhamos  pelo porto e fechamos o Domingo bem ao estilo norueguês...num bar do skagen, “lagarteando ao sol” e refrescando a garganta com uma Hansa, uma das melhores cervejas norueguesas ever. SKAL!!!  ( o A tem uma bolinha em cima, rsrsrsr)










Minha primeira semana em Stavanger - Vamos Turistar?

Junho/2014


Confesso que chegar na Noruega em pleno Verão é um privilégio.  Mas chegar aqui no Verão de 2014 é especial. Por que? Porque segundo amigos brasileiros, residentes aqui já há bastante tempo e segundo os próprios noruegueses, esse Verão foi atípico. Pouca chuva, pouco vento e muito calor para os padrões nórdicos!

Estranhei um pouco o sol só se por às 23 horas e já estar de volta às 5 da matina, mas depois até gostei. Isso nos dava mais tempo pra curtir os dias de folga e turistar pelos arredores.

Aproveitando o carro alugado e um dia lindo de tirar o fôlego, resolvemos sair um pouquinho da cidade e visitar o Farol de Tungenes , situado na costa de Randaberg, um pequeno lugarejo pertinho de Stavanger. 

O farol funcionou de 1828 até 1984, quando foi fechado. Em 1998 foi tombado e aberto a visitação. O farol é pequeno e o que vale mesmo é o caminho que temos que trilhar até lá, entre as rochas e a relva verdinha, emolduradas pelo AZUL super AZUL do céu e do mar. 





Era um sábado e quando alcançamos o farol havia uma grande festa, com música, guloseimas e uma cerimônia patriótica. Até hj não sei o que eles celebravam ...mas foi definitivamente uma manhã feliz.



Depois desse banho de natureza exuberante e paisagem totalmente bucólica, voltamos pra cidade pra aproveitar a energia do fim de semana. No Verão, tudo se modifica em Stavanger: o humor das pessoas, a disposição, a cortesia. 

O porto se enche de turistas e moradores que circulam pela cidade ou simplesmente se sentam na beira do cais pra tomar sol e saborear um sanduiche de camarão quase cru.
Eu de gola rolê e eles sem camisa! Rsrsrsrs  Tudo é alegria e cor!



Contornamos o cais mais uma vez apreciando o movimento dos barcos e enormes navios de diversas nacionalidades que ali ancoram no Verão. 

Sem rumo e nos deixando levar, subimos umas escadinhas que nos levaram até umas casinhas brancas muito fofas que mais pareciam ter saído de um conto de fadas.  Estávamos no coração de OLD STAVANGER ou GAMLE STAVANGER, que é um conjunto de 173 casinhas de madeira, construídas no final do século 18 e que carrega um história bastante interessante.






Após a II Guerra Mundial, um novo plano arquitetônico para a cidade previa a substituição de todos esses conjuntos de madeira por prédios novos  e modernos. Não fosse pelo arquiteto Einar Héden, que sozinho lutou pela conservação dessa parte da cidade, hoje seríamos privados desse cenário de sonho disposto entre charmosas ruelas e “jardins secretos”. 




E o passeio continua, descobrindo os cantinhos da cidades e esculturas pra lá de divertidas.



Encerramos nosso dia visitando a torre do centro da cidade, a Valberg Tower, construída entre 1850 e 1853,  como observatório da cidade de Stavanger.  A principal função dos vigias “permanentes”  era avisar quando havia algum foco de incêndio na cidade, já que naquela época, tudo era feito de madeira e o fogo era um perigo iminente.  Parece incrível, mas os incêndios existem até hoje na cidade(em menor escala, claro).





Atualmente,  a torre abriga um pequeno museu e parte de suas instalações podem ser alugadas para eventos. Além disso, é um dos melhores pontos da cidade para ver o sol se por.


domingo, 25 de janeiro de 2015

Chegando em Terras Vikings




Depois de quase 7 meses da minha chegada e pra lá de enferrujada (não escrevo há mais de um ano), aqui vai o meu primeiro post do novo blog. 

Pra quem não sabe, meu blog anterior era www.monicaemperth.blogspot.com, da época maravilhosa que vivi na Austrália.

Mas tudo bem, prometo que aos poucos, vou contando nossas experiências em terras escandinavas e colocando o assunto em dia.

Stavanger e o início do Verão me receberam no dia 31 de maio de 2014.

O avião chegou à tarde, por volta das 17 horas, sobrevoando uma paisagem que encheu meus olhos. Os fiordes, ah...os famosos fiordes! Belíssimos, entre montanhas majestosas de pura rocha.  Definitivamente uma visão!

Já em solo norueguês, fiquei feliz quando me deparei com um aeroporto pequeno, até intimista, fácil de localizar tudo que precisava.  

Por “ordem” do meu marido corri ao Freeshop para comprar bebidas. É impressionante como ninguém sai dali sem esgotar seu limite de compras em álcool. Depois fui entender por que. Os preços dos “spirits”  aqui podem ser desanimadores (ou desafiadores?).  E é mesmo proposital já que há alguns anos, havia um sério problema de alcoolismo na Noruega.

Vinhos adquiridos, já que ninguém é de ferro, peguei minhas malas gigantes e reencontrei meu marido, que me aguardava com flores e um carro alugado pra gente passear...UHUUUU

O primeiro lugar que fomos é um dos principais pontos turísticos de Stavanger: o Sverd i Fjell - Morro das espadas. É um monumento comemorativo que fica no  Hafrsfjord e foi criado pelo escultor Fritz Røed, de uma cidadezinha chamada Bryne. As espadas foram inauguradas pelo rei Olav V. Eles comemoravam a histórica batalha do Hafrsfjord, que ocorreu ali mesmo no ano de 872, quando o rei Harald Fairhair finalmente unificou a Noruega sob uma única coroa. A espada maior representa o vitorioso rei Harald e as duas menores os dois outros reis vencidos. É um monumento à PAZ, já que as espadas estão plantadas na rocha, de onde nunca mais deverão ser removidas.










As espadas parecem maiores do que realmente são, mas o lugar tem uma energia toda especial e com certeza foi o meu cartão de boas vindas.

Dali,  passamos por Madla e seguimos em direção ao Centro de Stavanger. E eu...tentando ler as placas, mas o choque com a língua foi instantâneo. No início, nenhuma palavra parecia fazer sentido. Bem, é claro que ainda não fazem, rsrsrsr mas já melhorou bastante. 

As palavras são longas porque eles juntam várias palavras em uma só e algumas letras e sinais são bem diferentes dos nossos. E a forma como se lê...nem se fala! 

É galera .... "bora" aprender norueguês!




Fomos pra casa deixar as malas e conhecer o meu primeiro e breve pouso.O apartamento era bem central, na Kortegata, próximo ao coração da cidade – Stavanger Sentrum.  Como no Verão há luz do dia até 23h30min, tivemos tempo de sobra pra assentar as coisas em casa e sair pra passear à pé. Abaixo, a vista dos telhados típicos do Centro e os arredores da nossa primeira casa.




Lembro que achei a cidade uma graça. O centrinho é super charmoso e mais parece um vilarejo chic. Tudo é bem tradicional:  casinhas de madeira, brancas e coloridas, ruas de paralelepípedo, jardineira com flores, jardins bem cuidados, uma catedral com fachada medieval, grifes modernas que se misturam as lojinhas locais, restaurantes e cafés aconchegantes com mesas e cadeiras com peles e mantas nas calçadas.








Ah, e um lindo lago bem no Centro da cidade, onde vi pela primeira vez as maiores gaivotas da minha vida. E olha que eu achava as gaivotas da Austrália bem parrudas e abusadas. As daqui, além de muito maiores, são ainda mais topetudas!







Caminhando ainda (tudo é tão pertinho),  chegamos no famoso porto de Stavanger, o SKAGEN, como dizem por aqui. Que graça de lugar, era exatamente como eu imaginava as pequenas cidades escandinavas. Muitas casinhas de madeira coloridas margeando a entrada do mar, que antes serviam de depósito para as cargas dos pesqueiros e hoje foram transformadas em  hotéis, restaurantes, cafés,  pubs e lojinhas de souvenirs.  

Eu fiquei encantada. E até hoje me encanto, é uma paisagem que nunca vai me cansar.





Fechamos a noite (ainda de dia) tomando uma cerveja num pub australiano do skagen, em pleno Verão e com aquecedores em volta da mesa.  Uma das poucas cervejas que tomei fora de casa...Mas tava valendo, afinal...era o meu primeiro dia  na Noruega!'



E abaixo, pra quem se interessa, um pouquinho da história de Stavanger:

Stavanger é uma comuna e cidade da Noruega, com 71 km² de área e mais de 130 mil habitantes. Historicamente é uma cidade pesqueira e industrial, uma vez que a partir da década de 1970 tornou-se a capital norueguesa do petróleo e as atividades relacionadas à extração no mesmo no Mar do Norte tornou-se o principal setor econômico da cidade. Graças ao extrativismo mineral, Stavanger é a cidade com menor índice de desemprego em toda a Europa e sede do Museu Norueguês do Petróleo.